Enfermagem

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quarta-feira, 20 de abril de 2011

Exame Físico do Abdômen

Exame físico
A realização do exame abdominal deve ter a seguinte ordem: inspeção, ausculta, percussão e palpação. 

Abdômen
A cavidade abdominal é dividida em 4 quadrantes: 


  • Superior direito;
  • Superior esquerdo;
  • Inferior direito;
  • Inferior esquerdo. 


Pode ser dividido também em 9 regiões: 


  • Epigástrica;
  • Umbilical;
  • Suprapúbica;
  • Hipocôndrios direito e esquerdo;
  • Flancos direito e esquerdo;
  • Inguinais direito e esquerdo.


FORMA E VOLUME
Variam de acordo com a idade, sexo, estado de nutrição. 

TIPOS DE ABDÔMEN 

Abdômen globoso: apresenta-se globalmente aumentado com predomínio nítido do diâmetro ântero-posterior sobre o transversal.
·Gravidez avançada, ascite, obesidade, obstrução intestinal, tumores policísticos do ovário.

Abdômen em ventre de batráquio: observa-se predomínio do diâmetro transversal sobre o ântero-posterior.
Ascite em fase de regressão - é conseqüência da pressão exercida pelo líquido sobre as paredes laterais do abdômen.

Abdômen pendular: estando o paciente de pé, as vísceras pressionam a parte inferior da parede abdominal produzindo uma protusão.
Flacidez do abdômen no período puerperal.
Abdômen em avental: encontrado em pessoas obesas, sendo conseqüência do acúmulo de tecido gorduroso na parede abdominal, cai como um avental sobre as coxas do paciente.

Abdômen escavado: percebe-se nitidamente que a parede abdominal está retraída. Pessoas muito emagrecidas.

CICATRIZ UMBILICAL

Normal -forma plana ou levemente retraída. Tem valor prático o encontro da protusão da cicatriz umbilical que indica a existência de uma hérnia ou o acúmulo de líquido.

ABAULAMENTO OU RETRACÕES

Quando ocorre, torna o abdômen assimétrico e irregular, indicando alguma anormalidade e para identificar é necessária a palpação para saber a localização, forma tamanho, mobilidade.
· as causas mais comuns: hepatomegalia, retenção urinária, tumores de ovário e útero, tumores pancreáticos, fecaloma, útero grávido.



PONTOS DOLOROSOS

Há áreas na parede abdominal cuja compressão, ao despertar sensação dolorosa, pode indicar comprometimento do órgão ali projetado.

  • Ponto Gástrico: compreendem o ponto xifoidiano (abaixo do apêndice xifóide) e ponto epigástrico(corresponde ao meio da linha xifoumbilical) - o 1º é observado na cólica biliar e nas afecções do estômago e duodeno e o 2º nos processos inflamatórios do estômago e duodeno.
  • Ponto Biliar ou Ponto Cístico: situa-se no ângulo formado pela reborda costal direita e borda externa do músculo reto abdominal.Ao comprimir o local pede-se ao paciente que inspire profundamente. Nisto o diafragma abaixará o fígado, fazendo com que a vesícula biliar alcance a extremidade do dedo que está comprimindo a área. (nos casos de colecistite tal manobra desperta dor inesperada - sinal de Murphy).
  • Ponto Apendicular ou Ponto de Mc Burney: situa-se geralmente na extremidade dos dois terços da linha que une a espinha ilíaca ântero-superior direita ao umbigo. Quando suspeita de apendicite aguda, este ponto deve ser comprimido com os 4 últimos dedos, fazendo-se uma pressão progressiva, contínua, procurando-se averiguar se isto provoca dor, depois, descomprime-se a região, com o que se determina um estiramento rápido do peritônio, se estiver inflamado, despertará dor aguda e intensa (dor que ocorre com a descompressão - sinal Blumberg - peritonite localizada).
  • Pontos Ureterais: situam-se na borda lateral dos músculos reto-abdominais em 2 alturas: na intersecção com uma linha horizontal que passa pelo umbigo e no cruzamento da linha que passa pela espinha ilíaca ântero-posterior. A palpação destes pontos deve ser feita com as mãos superpostas comprimindo-se a parede com as polpas digitais dos dedos indicador, médio anular e mínimo (cólica renal). 
RESISTÊNCIA DA PAREDE ABDOMINAL
Normal: é a de músculo descontraído.
Ao se deparar com uma musculatura contraída, deve-se saber diferenciar uma contração voluntária de uma involuntária.

Na voluntária: solicite ao paciente para respirar profundamente, flexionar as pernas, desviar sua atenção para outros assuntos.

Involuntário - denominada “defesa da parede abdominal". A contratura muscular involuntária obedece a um reflexo visceromotor, cujo estímulo nasce no peritônio inflamado (peritonite). A defesa da parede abdominal pode ser localizada ou generalizada (abdômen em tábua).

Continuidade da parede abdominal:

Hérnias - protusão da parede abdominal por onde penetram uma ou mais estruturas infra abdominais(alças intestinais). A inspeção nota-se tumefação na região da hérnia.


Na avaliação abdominal devemos perguntar os seguintes sinais e sintomas  ao paciente:
  • Disfagia:dificuldade na deglutição;
  • Pirose:azia, queimação ou queimor;
  • Dor esofagiana;
  • Regurgitação:volta do alimento ou secreções contidas no esôfago ou estômago à cavidade bucal;
  • Eructação (arroto): ocorre como consequência da ingestão de maior quantidade de ar durante as refeições ou em situações de ansiedade;
  • Soluço:é causado por contrações espasmódicas do diafragma;
  • Sialose:caracteriza-se pela produção excessiva de secreção salivar;
  • Vômitos;
  • Hematêmese: vômito com sangue.
Devemos perguntar ao paciente se defeca e urina diariamente, coloração da urina e presença de dor ao urinar, presença de gases na região abdominal, se possui alguma dor abdominal e se já sofreu algum tipo de problema  na região abdominal.

No exame físico do abdmêm, investiga-se:
  • Forma e volume: variam de acordo com a idade, o sexo e o estado de nutrição do cliente. Problemas de enfermagem: abdome globoso (abscesso, abdome agudo), abdome em batráquio (ascite), abdome em avental (obeso), retraído ou escavado (Desidratação de 3º. Grau, caquexia), abdome pendular (visceroptose).
  • Abaulamento localizado: distensão dos segmentos do tubo digestório, visceromegalias acentuadas, tumores, hérnias, etc.
  • Pele: cicatrizes, lesões.
  • Pêlos
  • Cicatriz umbilical: É mediana, simétrica, com depressão circular ou linear e entre a distãncia xifopubiana. Problemas de enfermagem: protusão, deslocamento para cima, baixo ou lateralmente, tumorações (inflamatórias, neoplásicas), coloração azulada ou amarelada periumbilical, hérnias (manobra da tosse).
Ausculta

Precede a palpação e a percussão, pois estas podem alterar os sons intestinais. Ausculta-se sempre nos 04 quadrantes, um mínimo de 15 segundos em cada um. O som auscultado é denominado de ruídos peristálticos ou hidroaéreos (RHA). O normal é escutar 05 ruídos por minuto ou no mínimo um a cada dois minutos. Temos o peristaltismo normal, aumentado, diminuído ou ausente. Problema de enfermagem: borborigno, íleo paralítico.

Palpação 

Antes de realizá-la deve-se prestar atenção aos seguintes pontos: 
  • Observar se há dor;
  • Fazer inicialmente palpação superficial;
  • Aproveitar a fase inspiratória para aprofundar mais a palpaçã;
  • Distrair a atenção do cliente, para relaxá-lo;
  • Observar suas reações;
  • Verificar sensibilidade, mobilidade, consistência dos órgãos;
  • Sempre observar uma ordem a palpar. O peritôneo é indolor podendo ocorrer contrações involuntárias devido as mãos frias, cócegas.
Palpação superficial.Verifica-se: 
  • Parede abdominal;
  • observa-se: espessura, turgor. Pode estar aumentada (edema, adiposidade), diminuída (desnutrição, desidratação), flácida (aumentos repetidos do abdome).
  • Tensão da parede;
  • Soluções de continuidade da parede: hérnias, abaulamentos da parede.
  • Sensibilidade.
Palpação profunda

Em seguida a palpação superficial, aumentando gradativamente a pressão exercida pela mão que palpa. É empregada para palpar as vísceras, massas ou tumores. Se encontrar tumores verificar a localização, volume, forma (malignos são irregulares e os benignos são mais regulares), consistência (malignos são mais duros), sensibilidade (malignos são geralmente indolores), mobilidade (malignos são geralmente fixos).
Sinal de irritabilidade peritoneal: Sinal de Blumberg ou de descompressão dolorosa.

Exame dos órgãos 

  • Estômago: é de difícil palpação, é indolor e se houver hipersensibilidade pode ser por afecção gástrica.
  • Ceco e apêndice: o apêndice é de difícil palpação e é indolor. Localiza-se no ponto de McBurney. Problema de enfermagem: apendicite.
  • Fígado: não é palpável, técnicas para palpá-lo: simples e bimanual, em garra (método de Mathieu).
  • Baço: no adulto não é palpável, técnica para palpá-lo: em decúbito dorsal, posição de Shuster.
  • Rins: são indolores, duros, de consistência firme, superfície lisa e regular. O rim direito é mais baixo que o esquerdo, por isto é, mais fácil ser palpado. Sinal de Giordano.
  • Bexiga: não é visível e nem palpável.
  • Reto: examina-se a região anal e perianal. O ânus é fechado em diafragma por pregas cutâneas radiadas e suaves. Para examiná-la faz-se o toque retal. O cliente se posiciona (posição litotômica), examina-se com a polpa digital a pele perianal a procura de lesões, hemorróidas, fissuras. Com o toque retal observa-se o esfíncter anal, sensibilidade, secreções, fecaloma, etc.


Percussão

O som predominante é o timpanismo, próprio das vísceras ocas. Os sons variaram conforme o tamanho das vísceras, a quantidade de sólidos, líquidos e gases.

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